Muralhas de uma fortaleza antiga serpenteando por uma paisagem seca e montanhosa, evocando ruína e resistência ao longo do tempo

Devocional

Salmos 89: A Fidelidade Que Não Depende da Minha Sorte

6 min de leitura

Versículo-chave

Isso não significa que meu amor para com eles terminou, nem que deixarei de ser fiel à minha aliança com Davi.

Salmos 89:33 (ONBV)

Capítulo completo — Salmos 89

Salmos 89

ONBV

1Cantarei para sempre o grande amor do Senhor! Anunciarei com a minha boca a sua fidelidade por todas as gerações! 2Pensei comigo mesmo: O grande amor de Deus é eterno e dura para sempre! A sua fidelidade está firmada nos céus. 3O Senhor Deus declara: "Fiz uma aliança com o meu escolhido e prometi solenemente a Davi, meu servo:

4Um dos seus descendentes sempre reinará; eu farei com que alguém da sua linhagem ocupe o trono de Israel por todas as gerações!" 5Os céus louvam as suas maravilhas, ó Senhor! Os santos anjos louvam a sua fidelidade. 6Quem, em todo o céu, poderá ser comparado ao Senhor? Quem dentre os seres celestiais chega aos pés do Senhor?

7Deus fica muito acima da assembleia dos santos anjos; todos eles respeitam profundamente o Senhor. 8Ó Senhor, Deus dos Exércitos, onde existe alguém tão forte e poderoso como o Senhor? Em todas as coisas, o Senhor é fiel! 9O Senhor domina o mar, quando ele está revolto; o Senhor acalma as grandes ondas com a sua voz!

10O Senhor quebrou o Egito em pedaços! Com o seu grande poder feriu mortalmente os seus inimigos, e todos eles fugiram. 11Os céus são seus, a terra é sua! Sim, este mundo e tudo que nele existe foram criados pelo Senhor. 12Criou o Norte e o Sul; o monte Tabor e o monte Hermom cantam de alegria porque foram criados pelo seu grande poder.

13O seu braço é poderoso; a sua mão é forte! Sua mão direita é levantada, com poder e honra. 14O seu trono tem duas bases, a justiça e a retidão. Por onde quer que vá, o amor e a verdade o acompanham. 15Feliz é o povo que o adora com gritos de alegria, Senhor, pois o seu caminho será iluminado pela luz do seu rosto.

16O Senhor é a alegria constante desse povo, e ele se alegra em conhecer a sua justiça e bondade, 17pois o Senhor é a nossa glória e a nossa força! Nossa força depende inteiramente da sua bondade. 18O Senhor é o nosso escudo. Ó Santo de Israel, o Senhor é o nosso rei!

19Há algum tempo, numa visão, o Senhor disse ao seu profeta: "Dei a um soldado valente o poder para salvar o meu povo! Escolhi um homem humilde para ser rei. 20Escolhi Davi, o meu servo, para ser rei; como prova da minha escolha derramei o meu santo óleo sobre a sua cabeça. 21A minha mão confirmará as ações dele, e o meu braço será a sua força!

22Ele nunca será apanhado de surpresa pelos seus inimigos, nunca será derrotado pelos perversos! 23Eu mesmo destruirei os seus inimigos e castigarei quem odiar Davi. 24A minha fidelidade e o meu amor cuidadoso estarão sempre com Davi, e ele se tornará forte e poderoso graças a mim.

25Darei a Davi um reino que vai desde o mar Mediterrâneo até o rio Eufrates. 26Ele me agradecerá dizendo: 'O Senhor é o meu Pai, o meu Deus, a Rocha onde eu encontro a salvação!' 27Por isso, darei a ele as honras de meu primeiro filho, e farei dele o rei mais poderoso em toda a terra.

28O meu amor fiel por ele permanecerá para sempre; a minha aliança com ele jamais será quebrada. 29Sua família nunca acabará; ele sempre terá um herdeiro para ocupar o seu trono, que será eterno como os céus. 30"Se os seus filhos e netos desprezarem a minha lei e não andarem nos meus caminhos,

31se não derem importância às minhas ordens escritas e desobedecerem aos meus mandamentos, 32então eu mesmo castigarei com varas a sua desobediência e com chicotadas o seu pecado; 33mas isso não significa que meu amor para com eles terminou, nem que deixarei de ser fiel à minha aliança com Davi.

34Não! Jamais quebrarei a minha aliança e nunca voltarei atrás em uma só das promessas feitas a ele. 35Porque eu fiz esta promessa solene, com base na minha santidade, e não mentirei a Davi; 36que a sua linhagem seja eterna e o seu trono permaneça para sempre diante de mim, como o sol,

37pois será estabelecido para sempre como a lua, a fiel testemunha no céu". 38Por que, então, abandonou o seu escolhido? Por que ficou tão furioso com o seu ungido? 39Por que deixou de lado a aliança feita com o seu servo? A coroa do rei ficou sem valor, pois foi jogada na lama.

40Os muros de nossa capital e as nossas fortalezas foram reduzidos a ruínas. 41Quem passa por perto de nós leva um pouco do que sobrou, e todos os nossos vizinhos zombam de nós. 42O Senhor deu força aos inimigos do rei, e eles se alegraram com a nossa derrota.

43Tornou as nossas armas inúteis e não ajudou o rei na hora da batalha. 44O Senhor apagou o seu brilho glorioso e derrubou o seu trono no chão. 45Fez o rei envelhecer depressa demais e o cobriu com um manto de vergonha e humilhação.

46Ó Senhor, até quando esta situação vai continuar? O Senhor ficará escondido de nós para sempre? O fogo da sua ira nunca irá se apagar? 47Lembre-se, Senhor, de como a minha vida é passageira! Será que o Senhor criou o homem sem motivo, sem um propósito para a vida? 48Todos os homens terão de enfrentar a morte um dia; ninguém vive aqui para sempre! Quem é capaz de livrar-se das garras da morte?

49Ó Senhor, onde está o seu antigo amor, que com fidelidade jurou a Davi? 50Lembre-se, Senhor, da vergonha que os seus servos estão passando. Meu coração está carregado com as ofensas de todos os povos, 51das zombarias dos seus inimigos, ó Senhor, com que se divertem, humilhando o nosso rei, seu escolhido.

52Mesmo assim, bendito seja o Senhor para sempre! Amém e amém!

Observação

Trinta e sete versículos de louvor ininterrupto, e depois o salmo vira do avesso. Até o verso 37 o poeta canta a aliança de Deus com Davi como um sol que nunca se põe — um trono garantido “para sempre”, uma linhagem que “nunca acabará” (v. 29). É hino de coroação, quase eufórico. Então vem o verso 38: “Por que, então, abandonou o seu escolhido?”

A guinada é violenta de propósito. O mesmo Deus que jurou fidelidade eterna a Davi (vv. 3-4) aparece agora, aos olhos do salmista, como quem jogou “a coroa do rei” na lama (v. 39) e “derrubou o seu trono no chão” (v. 44). Os muros da capital estão em ruínas (v. 40), os vizinhos zombam (v. 41), e o rei envelheceu antes da hora, coberto de vergonha (v. 45). Não há suavização — o poeta não finge que está tudo bem enquanto o reino desmorona diante dele.

O centro teológico do capítulo, porém, mora antes da queda, no verso 33. Prevendo a desobediência dos descendentes de Davi e o castigo que viria (vv. 30-32), Deus declara algo que muda tudo o que vem depois: “isso não significa que meu amor para com eles terminou, nem que deixarei de ser fiel à minha aliança com Davi.” A disciplina existe dentro da aliança, não fora dela — castigo e abandono não são sinônimos.

É esse verso, escrito páginas antes do lamento, que sustenta o salmista quando a ruína chega de fato. Ele não entende o “até quando” (v. 46), não recebe resposta, mas termina — contra toda lógica da própria situação — com uma bênção: “Mesmo assim, bendito seja o Senhor para sempre” (v. 52).

Aplicação para Vida

Rezo coisas bonitas sobre a fidelidade de Deus quando a vida está de pé. É fácil cantar o verso 1 num dia bom. O teste de verdade é o que sobra quando chego ao verso 38 da minha própria história — a fase em que a promessa parece jogada na lama e a pergunta “até quando, Senhor?” sai mais como acusação do que como oração.

Salmos 89 não me pede para pular direto do trauma para o louvor. Ele me dá catorze versículos inteiros de lamento honesto (vv. 38-51) antes da bênção final, e isso é permissão. Discordar de Deus em voz alta, nomear a ruína pelo nome, sentir a vergonha sem fingir vitória: tudo isso cabe dentro da fé, não fora dela.

O que me segura no meio da queda não é a minha capacidade de manter a mesma euforia do começo. É lembrar do verso 33 quando o verso 40 chega — que a disciplina, a demora, até o silêncio de Deus não cancelam a aliança que ele fez antes de tudo desmoronar. Eu não controlo quando a fortaleza cai. Controlo se sigo repetindo a promessa que veio antes da queda.

O trono de Davi caiu naquele momento histórico, e ainda assim a linhagem chegou até Jesus. A ruína do verso 40 não teve a última palavra sobre a aliança do verso 4 — e a minha também não vai ter.

Oração

Senhor, hoje eu tenho mais pergunta do que louvor. Tenho muro caído que eu queria fingir que está de pé.

Não vou apressar o final feliz. Deixa eu ficar um pouco no “até quando”, sem que isso signifique que eu duvido de quem és.

Lembra-me do que prometeste antes de eu ver a ruína — que castigo não é abandono, que demora não é esquecimento, que a coroa na lama não é o fim da história que começaste.

E quando eu não conseguir cantar o verso 1 hoje, aceita o verso 52 como a oração possível: mesmo assim, bendito sejas.

Link copiado!
Receba notificações quando houver novo devocional