Céu estrelado com a Via Láctea sobre montanhas nevadas, imagem do Criador do céu e da terra invocado em Atos 4

Devocional

Atos 4: A Oração Que Não Pediu Segurança

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Versículo-chave

E agora, ó Senhor, preste atenção às ameaças deles e conceda aos seus servos que anunciem a sua palavra com coragem.

Atos 4:29 (ONBV)

Capítulo completo — Atos 4

Atos 4

ONBV

1Enquanto Pedro e João estavam falando ao povo, os sacerdotes principais, o comandante da guarda do templo e alguns dos saduceus vieram a eles, 2muito incomodados porque os apóstolos estavam ensinando ao povo que Jesus havia ressuscitado dos mortos. 3Eles prenderam Pedro e João e, como já havia anoitecido, puseram os dois no cárcere até o dia seguinte.

4Porém muitos que ouviram a mensagem deles creram, de modo que o número de crentes agora já atingia cerca de 5.000 pessoas! 5No outro dia, aconteceu que um conselho de todas as autoridades e líderes religiosos e os mestres da lei estava reunido em Jerusalém. 6Ali estavam o sumo sacerdote Anás, Caifás, João, Alexandre e outros parentes do sumo sacerdote.

7Mandaram buscar Pedro e João e começaram a interrogá-los: “Com que poder ou pela autoridade de quem vocês fizeram isto?” 8Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse: “Ilustres autoridades e anciãos da nossa nação! 9Se os senhores se referem ao ato de bondade realizado na cura do aleijado, e como aconteceu,

10permitam que eu claramente afirme aos senhores e a todo o povo de Israel que isso foi feito por intermédio do nome de Jesus Cristo de Nazaré, a quem os senhores crucificaram, mas a quem Deus ressuscitou dos mortos. É pela autoridade dele que este homem se acha aqui curado diante dos senhores! 11Porque esse Jesus é ‘a pedra rejeitada pelos construtores e que se tornou a pedra principal’. 12“Não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual possamos ser salvos”.

13Quando os membros do Sinédrio viram a coragem de Pedro e João, e percebendo que eles eram evidentemente homens simples e sem cultura, ficaram admirados e reconheceram o que a convivência com Jesus havia feito neles! 14Mas o Sinédrio dificilmente poderia desmentir a cura, visto que o homem que eles haviam curado estava bem ali ao lado deles! 15Portanto, mandaram os dois saírem do Sinédrio e começaram a discutir.

16“Que vamos fazer com estes homens?”, perguntavam uns aos outros. “Nós não podemos negar que eles fizeram um milagre tremendo, e todo mundo em Jerusalém sabe disso. 17Porém, talvez possamos impedir que se espalhe a propaganda deles. Devemos adverti-los de que não falem mais acerca desse nome”. 18Então eles chamaram os dois de volta e lhes ordenaram que não falassem nem ensinassem a respeito de Jesus.

19Mas Pedro e João responderam: “Decidam os senhores se é justo aos olhos de Deus que obedeçamos a vocês em vez de obedecer a Deus! 20Nós não podemos deixar de falar das coisas maravilhosas que vimos e ouvimos”. 21Então eles tornaram a ameaçá-los e, finalmente, mandaram os dois embora porque não sabiam como dariam um castigo a eles sem provocar tumulto. Porque todo o povo estava louvando a Deus pelo que havia acontecido,

22pois o homem que havia sido curado milagrosamente tinha mais de 40 anos! 23Logo que foram soltos, Pedro e João encontraram-se com os discípulos e contaram tudo o que os sacerdotes principais e os líderes religiosos lhes tinham dito. 24Ouvindo isto, todos se uniram nesta oração a Deus: “Ó Soberano Senhor, criador do céu, da terra, do mar e de tudo o que há neles,

25o Senhor falou há muito tempo pelo Espírito Santo, através do nosso antepassado rei Davi, seu servo, dizendo: ‘Por que as nações se reúnem e planejam revoltas? Por que os povos fazem planos tolos, tramando em vão? 26Os reis das nações se reuniram e os governantes traçam planos para unidos derrotarem o Senhor e o seu Ungido!’ 27“Isso é o que aconteceu nesta cidade! Pois o rei Herodes, o governador Pôncio Pilatos, todos os gentios e o povo de Israel se uniram contra Jesus, o seu Filho ungido, o seu santo servo.

28Eles se reuniram para fazer tudo o que, pelo seu poder e pela sua vontade, o Senhor já havia decidido de antemão que acontecesse. 29E agora, ó Senhor, preste atenção às ameaças deles e conceda aos seus servos que anunciem a sua palavra com coragem. 30Estenda a mão para curar e realizar sinais e maravilhas pelo nome do seu santo servo Jesus”.

31Depois dessa oração, o lugar onde eles estavam reunidos foi sacudido, e todos eles ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a mensagem de Deus. 32Todos os que creram eram um só na mente e no coração, e ninguém pensava que aquilo que possuía era só seu; todo mundo repartia o que tinha. 33Os apóstolos anunciavam de maneira poderosa a ressurreição do Senhor Jesus, e havia uma abundante fraternidade entre todos os crentes.

34Não havia pessoas necessitadas entre eles, pois todos os que possuíam terra ou casas vendiam tudo e traziam o dinheiro da venda 35para que os apóstolos dessem aos outros de acordo com a necessidade de cada um. 36José, um levita de Chipre, a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé, que significa “encorajador”,

37vendeu um campo que possuía e trouxe o dinheiro aos pés dos apóstolos.

Observação

Pedro e João passaram a noite presos, foram interrogados por um conselho inteiro e ouviram a ordem de nunca mais falar do nome de Jesus. Na primeira reunião depois disso, contam tudo aos irmãos. A comunidade responde com uma oração.

O que ela pede chama atenção pelo que deixa de fora. Eles descrevem as ameaças, lembram que Deus é o criador do céu, da terra e do mar, e fazem um único pedido: que os servos de Deus anunciem a palavra “com coragem”. Ninguém pede que o conselho desista nem que as ameaças sejam retiradas.

Antes disso, o Sinédrio já tinha feito uma leitura dos dois. Eram homens simples e sem cultura, e dava para reconhecer o que a convivência com Jesus havia feito neles. O homem curado estava ali ao lado, o milagre era conhecido em Jerusalém inteira, e sem argumento sobrou a ameaça.

A resposta vem em seguida. O lugar onde estavam reunidos foi sacudido, todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a anunciar a mensagem com a coragem que tinham pedido. O pedido foi atendido na medida exata em que foi feito, e o conselho continuava o mesmo.

Aplicação para Vida

Boa parte da nossa oração é pedido de remoção. Que a reunião seja cancelada, que a conversa difícil não aconteça, que a outra pessoa mude de ideia antes de eu precisar falar. Pedir isso é humano, e Deus ouve. Atos 4 mostra outra possibilidade: pedir firmeza no meio da situação, com a situação ainda de pé.

Pense em quem vive num lugar onde a fé custa uma coisa pequena. A piada no escritório, o silêncio constrangido quando alguém menciona a igreja, o convite que se deixa de fazer para evitar saia justa. Isso não é perseguição, e ninguém precisa fingir que é. O mecanismo, porém, é o mesmo: o medo decide o que sai da boca. Eu me reconheço em calar por cálculo, e me incomoda perceber que raramente peço coragem. O que peço, quase sempre, é uma circunstância mais fácil.

Os apóstolos pedem coragem pelo nome.

A observação do Sinédrio também me pega. Ninguém na sala elogiou o argumento de Pedro. Notaram a companhia que tinha formado aqueles dois. Para quem lê hoje, a conta prática é olhar o que as pessoas ao redor conseguem perceber sem que a gente diga nada: o jeito de reagir sob pressão, de tratar quem não pode retribuir, de falar de quem não está presente. Dá para fazer essa conta sem culpa, olhando com honestidade o que as pessoas já veem.

O fim do capítulo mostra o que a coragem produz quando é coletiva. Ninguém tratava como só seu aquilo que possuía, e não havia necessitado entre eles. Barnabé vende um campo e põe o dinheiro aos pés dos apóstolos. Antes do campo houve a oração. Falar com ousadia e repartir com liberdade nascem do mesmo lugar, a dependência de Deus dita em voz alta. Quem ora assim perde a necessidade de defender o que acumulou, e isso aparece em coisas pequenas e verificáveis: o saldo que se divide, o tempo que se entrega, o carro que se empresta.

Oração

Senhor, tu fizeste o céu, a terra e o mar, e eu ainda trato como enorme o que uma sala de reunião me diz. Pesa a lista das minhas ameaças ao lado de quem as escuta e deixa-me ver a diferença de tamanho.

Eu peço o que a tua igreja pediu. Não a porta aberta nem o conselho calado: peço coragem para dizer o que vi e ouvi, no momento em que for mais barato calar. Sacode o lugar onde eu estiver, se for preciso, e enche-me do teu Espírito até a voz sair.

Faz de mim alguém em quem se note a convivência com Jesus, sem que eu precise explicar. E dá-me a mão aberta de Barnabé para o que eu tenho. Amém.

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