Campo de lavanda em flor ao pôr do sol, com fileiras roxas em perspectiva e o sol baixo entre as árvores ao fundo

Devocional

2 Coríntios 2: A Carta Escrita Entre Lágrimas

4 min de leitura

Versículo-chave

Assim, eu lhes peço que mostrem a ele agora que vocês verdadeiramente ainda o amam muito.

2 Coríntios 2:8 (ONBV)

Capítulo completo — 2 Coríntios 2

2 Coríntios 2

ONBV

1Por isso resolvi não deixá-los tristes com outra visita dolorosa. 2Porque, se eu os entristecer, quem é que vai me alegrar? Como poderão me alegrar se eu lhes causar tristeza? 3Foi por isso que eu lhes escrevi daquela maneira em minha última carta, a fim de que vocês acertassem as coisas erradas antes que eu fosse. Então, quando eu for, não serei entristecido justamente por aqueles que compartilhariam da minha alegria. Eu tinha certeza de que a felicidade de vocês estava tão ligada a mim que vocês não se sentiriam felizes, a não ser que eu fosse com alegria.

4Escrevi aquela carta com aflição e angústia! Ela quase despedaçou meu coração, e digo-lhes francamente que chorei por causa dela. Eu não queria entristecê-los, mas tinha que mostrar-lhes quão profundamente os amava e me preocupava com o que estava acontecendo a vocês. 5Lembrem-se de que o homem acerca do qual escrevi, aquele que causou todo aquele transtorno, não me causou tanta tristeza quanto a vocês. Não quero ser mais severo com ele do que devo. 6Ele já foi suficientemente castigado com a reprovação da maioria de vocês.

7Agora é o momento de perdoá-lo e confortá-lo. Caso contrário, ele poderá ficar excessivamente desanimado. 8Assim, eu lhes peço que mostrem a ele agora que vocês verdadeiramente ainda o amam muito. 9E lhes escrevi daquele modo para poder verificar até que ponto vocês seriam obedientes ao meu ensino.

10Quando vocês perdoam alguém, eu também perdoo. E tudo quanto eu perdoei, se é que havia alguma coisa para perdoar, perdoei-o na presença de Cristo, para o bem de vocês, 11a fim de que Satanás, com a sua astúcia, não obtivesse vantagens sobre nós; pois conhecemos bem tudo o que ele está procurando fazer. 12Ora, quando cheguei à cidade de Trôade, o Senhor me deu oportunidades enormes para pregar o evangelho de Cristo.

13Contudo, Tito, meu querido irmão, não estava lá para me encontrar e eu não tive sossego no meu espírito, procurando saber onde ele estaria e o que lhe teria acontecido. Assim, despedi-me deles e fui direto para a Macedônia. 14Mas, demos graças a Deus, porque Cristo, por meio daquilo que fez, sempre nos conduz em vitória, de modo que agora, aonde quer que vamos, ele nos usa para falarmos aos outros a respeito do Senhor, e para espalharmos o evangelho como um perfume suave. 15Para com Deus, somos um aroma refrescante e saudável de Cristo, um perfume tanto para os salvos como para os que estão se perdendo.

16Para aqueles que estão se perdendo, somos um odor temível de morte e condenação, enquanto para aqueles que conhecem a Cristo somos um perfume vivificante. Mas quem é capacitado para uma tarefa dessas? 17Só aqueles que, como nós mesmos, são homens verdadeiros, enviados por Deus, falando com o poder de Cristo, e com o olhar divino sobre nós. Porque não somos como aqueles cujo propósito é negociar a palavra de Deus para conseguir com isso um bom lucro.

Observação

Paulo chorou antes de enviar a carta, e confessa isso sem pudor: “aflição e angústia”, um coração quase despedaçado. A correção que a igreja de Corinto recebeu não saiu de um homem irritado. Saiu de alguém que preferia adiar a visita a chegar com a mão pesada, porque sabia que não existe alegria de pastor sem a alegria do rebanho.

A carta funcionou, e agora vem a parte difícil. O homem que causou o transtorno já foi repreendido pela maioria, e a punição cumpriu o que devia. Paulo muda de direção: chegou o momento de perdoar e confortar, “caso contrário, ele poderá ficar excessivamente desanimado”. Disciplina que não termina em abraço vira condenação.

O verbo do versículo 8 merece atenção. Paulo não pede um sentimento, pede que mostrem. O amor precisa de um gesto que o homem consiga enxergar, uma mesa com lugar para ele, uma conversa que recomece o contato.

Na segunda metade do capítulo, a cena muda para Trôade. Portas abertas para o evangelho, e Paulo sem sossego porque Tito não apareceu. Ele vai embora de uma oportunidade enorme por inquietação com um irmão. Esse é o mesmo homem que, uns versículos adiante, descreve o ministério como perfume: aroma de vida para uns, odor de morte para outros.

Aplicação para Vida

Conheço o impulso de manter alguém na geladeira depois que a verdade foi dita. A conversa difícil aconteceu, o erro foi reconhecido, e ainda assim a pessoa segue sentindo o peso da minha distância. Paulo chama isso de risco real: o desânimo excessivo pode engolir quem já se arrependeu.

Perdoar na prática costuma ser pequeno. Responder a mensagem que ficou sem resposta, sentar ao lado na reunião, voltar a chamar para o café. O texto fala em mostrar, e quem mostra escolhe um dia e um gesto concretos.

Existe também o lado de quem corrige. Paulo escreveu chorando e depois quis ver o outro de pé. Quem confronta alguém sem estar disposto a restaurá-lo ainda não terminou de preparar a conversa.

O versículo 11 explica o que está em jogo: um grupo que não perdoa entrega terreno ao inimigo sem perceber. A amargura não precisa de muito espaço para se instalar, e a comunidade que a tolera aos poucos deixa de cheirar a Cristo.

Esta semana, uma pessoa vem à minha mente com quem a conta ficou aberta. Vou escrever a ela antes de terça.

Oração

Pai, a lista de quem eu ainda mantenho a distância é mais curta do que fingi e mais longa do que admito. Tu a conheces nome por nome.

Tu me corriges chorando e nunca me deixas no chão. Quero aprender esse jeito: dizer a verdade sem machucar por prazer e depois ficar por perto para ajudar a levantar.

Que o cheiro que eu deixo nos lugares por onde passo seja o do teu Filho. Onde eu endureci, amolece. Onde eu esperei o outro dar o primeiro passo, dá-me coragem de dá-lo eu. Amém.

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